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O JOGO INVISÍVEL DA POLÍTICA

Antes mesmo de o eleitor discutir nomes para a Presidência, a política real já se organiza em torno de uma disputa menos visível e mais decisiva: o controle do Senado. É ali que o Executivo encontra seus limites institucionais e onde o Judiciário, inclusive o STF, passa a ser politicamente contido. O Senado não apenas julga presidentes; também processa ministros da Suprema Corte. Quem controla sua maioria governa crises, freios e destinos. 

Para quem vive o poder por dentro a eleição já começou. A política brasileira se move como um tabuleiro de xadrez, com lances calculados e visão de longo prazo. Conquistar um aliado não é apenas somar forças, mas subtrair as do adversário. Uma aritmética simples, aplicada com a psicologia do poder.

É nesse ambiente que atua um grupo que nunca perde: o chamado “centrão”. Não é exatamente um partido, mas um modo de operar. Seus integrantes dominam a negociação, conhecem as regras escritas e, sobretudo, as não escritas. Transit­am entre direita e esquerda com igual desenvoltura. Em público, encenam moderação; nos bastidores, operam com frieza estratégica. Seu objetivo raramente é vencer a Presidência. A ambição é decidir quem vence e sob quais condições governará, pois governar expõe e desgasta. É o poder fora da vitrine, mas com todos os lucros.

Essa lógica consolidou o Senado como o local chave. Controlar sua maioria é controlar o ritmo institucional do país. Instrumentos como o impeachment deixam de ser apenas jurídicos e passam a funcionar como pressão política permanente. O Presidente ocupa a cadeira principal, mas governa sabendo que, do outro lado da Praça, alguém define os votos.

Por isso, lideranças pragmáticas testam nomes presidenciáveis sob o holofote da mídia, enquanto o verdadeiro objetivo é elegê-los para o Senado. É uma campanha que começa cedo, iludindo o público, que ainda acredita que o jogo nem começou.

Convém lembrar: o centrão, por não ser uma sigla única, gravita em torno de um núcleo móvel de poder que muda de legenda conforme o clima político, mas preserva uma constante: uma liderança hábil, capaz de articular interesses divergentes.

No fim, por trás do discurso institucional e das alianças fluidas, o interesse raramente é ideológico: é financeiro. O centrão — formado por grupos que atravessam décadas no poder, mudam de sigla, mas preservam posições e influência — sobrevive controlando o centro do tabuleiro. Isso significa dominar o fluxo das emendas, decidir quem recebe, quando e quanto.

É longe dos palanques que o poder se materializa. Na política brasileira, quem controla o dinheiro não precisa aparecer para mandar. 

E a pergunta que fica é: você sabe qual partido hoje melhor representa o centrão — e quem é o líder que realmente o comanda?

Mauro Falcão, Pesquisador e escritor brasileiro

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